Amorim aconselhado a “não procurar inimigos”: “Está sempre em Manchester”

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O discurso adotado por Rúben Amorim no AC Milan já está a gerar debate em Itália. O treinador português tem deixado alguns recados sempre que comparece em conferências de imprensa e há quem considere que Amorim ainda parece demasiado ligado à realidade… do Manchester United. O jornalista Andrea Marinozzi analisou, na segunda-feira, o estilo de comunicação do técnico do AC Milan, aconselhando-o a “não procurar inimigos”. 

“Analiso mais o período em Manchester do que este em Milão, porque ainda há poucos elementos, mas digo para não procurar inimigos, porque já está num clube gigantesco, onde a pressão já existe, também pelas más épocas, e está sempre em Manchester. Pensar naquilo que o Gary Neville dizia, naquilo que dizem os jornalistas, e depois responder com indiretas nas conferências de imprensa não lhe traz nada, não lhe traz mesmo nada”, começou por dizer Marinozzi, na antena da DAZN Italia, citado pelo MilanNews

“Portanto, deve deixar esses aspetos de lado, concentrar-se muito no trabalho dentro de campo  – algo que já faz – e também na comunicação não procurar inimigos. Procurar o seu próprio caminho na comunicação, que, a mim, já me agrada bastante, porque quando é direto fala de futebol, expõe as suas ideias e explica-as muito bem”, explicou, antes de apontar para o exemplo de Luka Modric. 

“Nós podemos falar aqui de Modric, mas ele próprio já explicou isso: a partida adequada para Modric, aquela que não se adequa, e de como precisava de Musah para o jogo. Explica tudo ao pormenor e agradeço por isso, porque são poucos os treinadores que o fazem e isso agrada-me. Mas não procurar inimigos, não procurar conflitos a todo o custo, não dar uma resposta de efeito, e se as perguntas forem más, não responder, porque algumas também têm sido mal feitas. Procurar levar o Milan aos mais altos níveis com as suas ideias, porque pode consegui-lo”, rematou o jornalista italiano. 

“Não sou louco”, defendeu Amorim 

Depois de ter arrancado a aventura no AC Milan com duas vitórias nos primeiros dois jogos oficiais, Ruben Amorim mostrou-se, no sábado, frustrado com os empates frente a Juventus e Lazio. O técnico de 41 anos disse, ainda, não era “louco” por ter promovido três alterações ao intervalo da última partida. 

“Agora é fácil falar. Não sou louco. Certamente agora colocaria de início a equipa da segunda parte. A forma como abordámos o jogo, porém, mudou completamente da primeira para a segunda parte. Hoje, na segunda parte, jogámos como queríamos, mas porque estávamos a perder por 2-0. Não mudaria o onze, mas mudaria a energia com que abordámos o jogo desde o início”, expressou Amorim, destacando a sintonia com os jogadores. 

“A coisa importante é que ouvi o Mario Gila falar com a imprensa e ele disse exatamente a mesma coisa. Portanto, podemos trabalhar a partir daqui. Se os jogadores sentem aquilo que eu sinto, penso que isso é importante. E, mais uma vez, sei que este é um estádio difícil para jogar. Sei que jogar em Turim é difícil, mas devíamos ter mais pontos nesta altura. Temos de estar frustrados com isso”, rematou Amorim. 

O AC Milan volta a entrar em ação na Serie A no domingo, recebendo o Lecce, mas antes disso vai medir forças com o Benfica já amanhã, quarta-feira, também em San Siro, no arranque da fase de liga da Liga Europa. 

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