“Traição”. Mbappé, Dembélé e Lamine Yamal em ‘guerra’ pela Bola de Ouro

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O London Palladium irá receber, no próximo dia 26 de outubro, a gala de atribuição da Bola de Ouro, e a edição de 2026 está a causar aquela que é uma das corridas mais em aberto pelo título de melhor jogador do mundo. Os jornalistas têm até 28 de setembro para depositar os respetivos votos… mas a ‘guerra’ está já instalada.

As ‘hostilidades’ foram abertas por Kylian Mbappé, referência máxima do treinador português José Mourinho, no Real Madrid, que, na mais recente edição da revista France Football (a responsável pela entrega do galardão), defendeu ser o mais forte candidato à conquista deste título: “Votaria em mim, nenhum jogador foi melhor do que eu”.

“Sempre pensei que a Bola de Ouro deveria premiar um jogador diferente, como acontecia na época de [Lionel] Messi e [Cristiano] Ronaldo. Nunca a entregam a jogadores normais, mas sim a jogadores diferentes. E, como acho que fiz coisas diferentes, acredito que posso ganhá-la”, atirou, recordando que se tornou no “melhor marcador da história dos Campeonatos do mundo, superando, com 27 anos de idade, uma lenda como Messi”.

Palavras que merecem uma pronta reação por parte de Ousmane Dembélé, compatriota de Kylian Mbappé, estrela do Paris Saint-Germain e vencedor da Bola de Ouro de 2025, ao jornal francês L’Équipe: “Ele sempre foi visto como um jogador de talento. Eu sempre fui visto como o eleito. Cheguei logo ao topo, muito cedo. Ele teve um percurso diferente, as lesões, mas recuperou bem”.

“Dembélé está muito zangado com Mbappé. É uma forma de traição”

Ora, de acordo com Jérôme Rothen, antigo jogador de clubes como PSG, AS Monaco ou Rangers, esta não se tratou de uma mera ‘troca de galhardetes’ entre Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé, já que abriu mesmo um foco de divisão no seio da própria seleção de França: “Ousmane Dembélé levou aquilo muito a mal, isso é certo. Está muito zangado com Kylian Mbappé. É uma forma de traição para ele. As palavras são fortes, mas é exatamente como ele encara aquilo”.

“E não foi apenas ele. Foi toda a gente em torno do Ousmane, as pessoas que estão no balneário, com o Ousmane, no PSG. Existe a frase ‘O escolhido, não o eleito’, que o trata como menor, dizendo que não havia estrelas no PSG, quando Mbappé lá estava, que aceitava quando a Bola de Ouro ia para Ronaldo e Messi, e não para outros. Basicamente, ele pensa ‘Eu podia ter ganho’. Entre os antigos vencedores da Bola de Ouro, há Dembélé, [Karim] Benzema e até [Luka] Modric, com quem jogou…”, apontou.

“A sensação que tivemos, no Mundial, é ainda mais evidente, ao dia de hoje. Há vários jogadores que tiveram dificuldades com o comportamento e as palavras de Mbappé, a realidade é essa. Ele alienou muitas pessoas dentro da seleção francesa. O Mundial correu como correu, e é verdade que, quando terminas como melhor jogador e tens um comportamento exemplar – que foi o caso do Kylian – isso mitiga, de alguma forma, todas as críticas no seio do grupo”, prosseguiu.

“Consta-me que vários jogadores da seleção nacional francesa não percebem, uma vez mais, todas as palavras dele. Estão mais na ‘Equipa Dembélé’ do que na ‘Equipa Mbappé’, ainda que seja a mesma equipa. No entanto, aparentemente, há, agora, duas equipas (…). O Ousmane, que é muito mais agregador do que o Kylian, agiu muitas vezes como pacificador entre alguns jogadores da seleção”, completou, na estação televisiva gaulesa RMC Sport.

Lamine Yamal ‘intromete-se’

No entanto, a história não fica por aqui. Isto porque, ainda na terça-feira, Lamine Yamal, figura principal do Barcelona e da seleção de Espanha, fez questão de se ‘intrometer’ nesta discussão, numa entrevista concedida ao programa ‘Universo Valdano’, emitido pela estação televisiva espanhola Movistar Plus+: “Eu mereço a Bola de Ouro. Mbappé e eu somos os melhores… mas eu mereço”.

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