Mbappé quebra o silêncio: “Tenho toda a solidariedade por Ceuta, mas…”

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Kylian Mbappé concedeu uma extensa entrevista à edição desta quinta-feira do jornal espanhol As, na qual quebrou o silêncio a propósito da decisão de boicotar a cerimónia de apoio a Ceuta, na passada terça-feira, antes da vitória alcançada sobre o Real Madrid, na deslocação ao Estadio Manuel Martínez Valero, sobre o Elche, por 2-3.

O internacional francês, recorde-se, ocultou parcialmente a mensagem “Todos Somos Caballas”, face à entrada massiva de cidadãos marroquinos nesta cidade autónoma de Espanha, tal como os companheiros de equipa Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté. Agora, sublinhou: “Quero explicá-lo bem, para que as pessoas o entendam”.

“Foi uma decisão dos clubes incluir a camisola, vestir a camisola. Nós, os jogadores, também tínhamos de vesti-la. A primeira coisa que quero dizer é que eu tenho toda a solidariedade por Ceuta e por todas as vítimas, porque, antes de ser jogador, sou humano, mas também queria ter um gesto e um pensamento para com todos os imigrantes que perderam a vida e que também estão em condições duras”, afirmou.

“Era uma posição que não era fácil, que era difícil, porque, no final, as pessoas podem pensar que eu estou contra o povo de Ceuta, mas não, absolutamente não. Não tenho nada contra eles, e eu apoio-os a 100% com o meu pensamento, mas queria ter também um pensamento para com toda as pessoas que sofrem, porque, no final, sou humano, e não quer colocar prioridades no sofrimento”, prosseguiu.

“Há pessoas que sofrem, e dá-me muita pena ver isso, no mundo. Sou um rapaz que quer o melhor para o mundo que temos. Pretendo enviar uma mensagem de otimismo e de paz, e espero que isto se solucione rapidamente”, completou aquela que é uma das principais referências do plantel às ordens do treinador português José Mourinho.

A explosiva reação do Real Madrid

A tomada de posição por parte de Kylian Mbappé sobre esta polémica surge menos de 24 horas depois de a própria direção do Real Madrid, liderada por Florentino Pérez, ter assumido uma reação… bombástica às críticas de que Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Ibrahima Konaté, face ao sucedido na visita ao Elche.

“Só existe uma versão, que é a verdade. Vamos lá ver, o Real Madrid, tal como o El Corte Inglés, a Perfumerías Avenida ou o OK Diario, é um grupo de humanos, de pessoas, mas não de opinião pública. E cada um tem as suas opiniões e sensibilidades. E é assim que deve ser”, esclareceu uma fonte da estrutura blanca citada pelo jornal espanhol Sport.

“O pedido do Elche para que estas camisolas fossem exibidas foi aceite pelo clube, e, no seu balneário, existem opiniões, sensibilidades e visões da realidade”, acrescentou o mesmo interveniente, cuja identidade é mantida, para já, no ‘segredo dos deuses’, antes de enviar um ‘recado’ ao eterno rival, o Barcelona.

“Quero recordar que o Barcelona negou-se como instituição, a fazê-lo, contra o Levante. E ninguém disse nem um mu”, atirou, referindo-se ao sucedido no passado fim de semana, no embate disputado no Estadio Ciudad de Valencia, que culminou num triunfo da equipa de João Cancelo e companhia, por 2-4.

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