Lamine Yamal e o racismo: “Chamarem-me negro não incomoda. Sou negro”

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Lamine Yamal concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista a Jorge Valdano, ‘lenda viva’ do Real Madrid e apresentador do programa ‘Universo Valdano’, emitido pela estação televisiva espanhola Movistar Plus Deportes, na qual assumiu, sem rodeios, que já foi alvo de insultos racistas “por 1.000 vezes”.

“As pessoas são indiretamente racistas contigo, mas talvez não se deem conta. Há muitos comentários, muitos olhares… São racistas e não se apercebem (…). Eu também vim de um lugar em que não é que esteja assumido, porque aquilo que está mal nunca se pode assumir, mas que não te incomoda”, começou por afirmar o avançado natural de Rocafonda.

Para ilustrar o quão normalizados estão os episódios desta natureza, o jogador de apenas 19 anos de idade ‘puxou a cassete atrás’ e recordou os incidentes que tiveram lugar no Santiago Bernabéu, a 26 de outubro de 2024, no decorrer da goleada aplicada pelo ‘seu’ Barcelona ao eterno rival, o Real Madrid, por 0-4.

“Por exemplo, no típico vídeo que saiu do Santiago Bernabéu, no qual me disseram e a Raphinha de tudo, as pessoas ficaram surpreendidas com a minha reação. No final, o facto de essa pessoa chamar-me negro não me vai incomodar, de todo. Eu sou negro, não sou de cor nenhuma”, atirou o internacional espanhol.

“Outra história é isso estar certo ou errado, porque é dito de forma depreciativa. Está errado, mas aquilo que eu não vou fazer, estando a jogar um jogo, para o qual ele [o adepto] pagou o bilhete para me ver, é ficar chateado pelo facto de uma pessoa me ter faltado ao respeito”, acrescentou.

“Mereço a Bola de Ouro, por tudo aquilo que conquistei”

Nesta mesma entrevista, Lamine Yamal recusou alongar-se em grandes palavras a propósito da discussão em torno da Bola de Ouro, prémio atribuído anualmente pela revista France Football ao melhor jogador do planeta, ao qual é apontado como um dos favoritos, após sagrar-se campeão nacional pelo Barcelona e campeão mundial por Espanha.

“A quem é que eu a daria? Ao melhor jogador do mundo. A quem é que o vão dar? Isso é uma conversa muito longa… Eu acredito, sinceramente, que o melhor do mundo são dois, e, este ano, eu mereceria, por tudo aquilo que conquistei. Para mim, eu e [Kylian] Mbappé somos os melhores do mundo. Para mim, está claro, e toda a gente que vê os jogos sabe”, refletiu.

Uma tomada de posição que surge precisamente no mesmo dia em que, em entrevista concedida ao jornal espanhol As, Kylian Mbappé, internacional francês que alinha sob as ordens do treinador português José Mourinho, insiste que é o mais justo vencer para este galardão individual.

“A minha opinião é que este é um bom ano para vencer. O meu melhor advogado são os meus pés, por muito que eu fale. Para mim, o mais importante é que a Bola de Ouro volte ao Real Madrid. Deve voltar ao Santiago Bernabéu, aos madridistas. Que volte, para dar ambição a todas estas pessoas. Estas pessoas merecem mais do que todo o mundo”, apontou.

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