Ruben Amorim deu um pontapé na crise que já estava a instalar-se no AC Milan depois de vencer o Lecce (3-0), no domingo, e há quem acredite que o treinador português apenas precisa de tempo para conseguir consolidar as suas ideias. Luigi Foscale, CEO da Top Player Academy, teceu rasgados elogios a Amorim e disse mesmo serem “totalmente injustas” as críticas que têm sido feitas ao futebol do AC Milan.
“O Milan está a apresentar um excelente futebol. O Amorim é extremamente inteligente, tanto taticamente como na forma como se adapta ao futebol italiano. Está a começar a conhecê-lo e está a fazer um bom trabalho. O empate com a Juventus foi positivo, uma partida menos conseguida como a que teve frente ao Benfica pode acontecer, mas a reação diante do Lecce foi excelente. O Pulisic desbloqueou e fez uma exibição fantástica. O Diego Moreira voltou a afirmar-se, é um jogador que arrasta a equipa e marca golos, e demonstrou grande inteligência e maturidade tática do ponto de vista defensivo”, começou por analisar Foscale na rádio Tuttomercatoweb.com.
“As críticas são totalmente injustas. Um jogo pode correr mal, mas Amorim está a demonstrar que, com o tempo, o Milan pode fazer uma boa época. Por isso, a confiança é máxima. Perdeu com o Benfica, mas não concordo com excesso de críticas que recebeu”, vincou, destacando, ainda, o papel de Gonçalo Ramos, que também tem sido alvo de várias críticas.
“O Gonçalo Ramos arrasta jogadores e cria espaços. É verdade que deveria marcar mais golos, mas, com os seus movimentos, cria espaços. Merece atenção e confiança”, rematou Luigi Foscale.
Amorim menos fundamentalista e mais flexível?
O regresso às vitórias do AC Milan também trouxe à tona uma vertente não tão conhecida de Ruben Amorim: a flexibilidade tática. O técnico português disse não querer repetir os erros do passado, nomeadamente no Manchester United, admitindo mexer no sistema tático se necessário.
“Nos últimos jogos tivemos algumas dificuldades porque tínhamos uma estrutura realmente demasiado rígida nas posições, enquanto hoje os jogadores tiveram um pouco mais de liberdade e, com um pouco mais de liberdade, jogam melhor”, explicou.
“Aquilo que senti nos últimos jogos, e que já tinha experimentado da mesma forma no Manchester United, razão pela qual não posso voltar a cometer o mesmo erro, é que, por vezes, não temos as características ideais para jogar de determinada forma. Se não as temos, temos de nos adaptar minimamente”, confessou.
Este discurso de Amorim não passou despercebido em Itália, com a Gazzetta dello Sport a apontar para um treinador “menos fundamentalista” e “mais flexível”.
O jornal italiano destaca a forma como o português tentou impor as suas ideias em Old Trafford e recorda mesmo a famosa frase que envolve… o Papa.
“Ninguém vai fazer-me mudar de ideias. Nem o Papa. Esta é a minha responsabilidade, por isso não vou mudar nada taticamente”, afirmara Amorim, há precisamente um ano, depois de sofrer uma pesada derrota diante do Manchester City (0-3).
Desde então, muita coisa mudou e este “novo” Amorim parece agora mais disponível para se adaptar sempre que o contexto o exigir.
Até ao momento, o técnico luso de 41 anos acumula um saldo de três vitórias, dois empates e uma derrota em seis jogos no comando técnico do AC Milan.