Ruben Amorim deu, no passado domingo, um pontapé na crise que já se estava a instalar em torno do AC Milan, ao vencer o Lecce (3-0) de forma categórica. Ao mesmo tempo, o técnico português continua a recolher o apoio de alguns dos nomes mais consagrados da história do emblema rossoneri, como é o caso de Ruud Gullit.
“Ruben Amorim esteve bem no Manchester United e penso que também está a correr-lhe bem no Milan, mas também estão numa fase de transição e a única forma de aprenderem a sair dessa situação é serem mais criativos”, começou por dizer a antiga lenda do futebol neerlandês, em entrevista ao jornal espanhol MARCA, publicada na quarta-feira.
Gullit, que vestiu a camisola do Milan por 173 ocasiões, marcando 56 golos e tendo vencido duas Taças dos Campeões Europeus, deixou, ainda, críticas à Premier League, destacando o seu enorme poder económico, mas sublinhando que os jogadores mais bem pagos não são necessariamente os melhores.
“A Premier League tem dinheiro, mas nem sempre conta com os melhores jogadores de Inglaterra. São os que ganham mais, mas isso não significa que sejam os melhores jogadores. Olho para alguns dos jogadores da Premier League e penso: ‘Bem, tens sorte por jogar aí e por ganhar tanto dinheiro. Muita sorte'”, expressou.
VAR alvo de críticas
Ruud Gullit também se mostrou desiludido com o futebol atual, nomeadamente pela presença do VAR, do qual “não gosta nada”, dando como exemplo mais recente o golo validado a Erling Haaland no recente dérbi de Manchester.
“Continuo a achar uma pena termos de esperar que o VAR tome uma decisão. Não se pode festejar um golo. É preciso esperar. É algo de que não gosto nada. O VAR continua a cometer erros. Vimo-lo no dérbi de Manchester. Foi uma decisão incrível e continuo sem perceber como puderam validar o golo”, disse o antigo internacional neerlandês.
“O árbitro assistente tinha razão relativamente ao golo de Haaland e é isso que é lamentável. O próprio árbitro não teve qualquer intervenção na decisão. Devia ter ido junto à linha lateral, falado com o seu assistente e pedido ao VAR para lhe mostrar as imagens. Foi uma decisão ridícula e espera-se que coisas destas nunca aconteçam, mas sabe-se que, no futebol, nada pode ser absoluto. Para mim, a forma como o VAR está a ser utilizado atualmente é um desastre”, rematou Gullit.
Afinal, quanto pagou o United para despedir Amorim?
Ruben Amorim acumula, até ao momento, um saldo de três vitórias em seis jogos no AC Milan, tendo voltado ao ativo no último verão. Em janeiro havia sido despedido pelo Manchester United, mas apenas esta semana o clube inglês formalizou os detalhes financeiros da saída do técnico português.
O Relatório e Contas, relativo à temporada desportiva de 2025/26, permite perceber que o United não conseguiu chegar a acordo com Amorim para rescindir o contrato em vigor, o que obrigaria os red devils a pagar os 16,7 milhões de libras (19,4 milhões de euros) a que este e a sua equipa técnica teriam direito, até junho de 2027, sob a forma de salários.
Porém, o facto de Amorim ter rumado ao AC Milan no verão, aceitando o convite para suceder a Massmiliano Allegri, acabou por ‘cortar’ a indemnização do United, que ficou cifrada em perto de 8,2 milhões de libras (9,5 milhões de euros), o que representa uma poupança de 8,5 milhões de libras (9,9 milhões de euros).