Alessandro Costacurta acredita que o AC Milan tem uma “luz ao fundo do túnel”. A lenda rossoneri fez um balanço deste início de temporada, mostrou-se preocupada com a exibição do conjunto italiano frente ao Benfica e defendeu que seja dado tempo a Ruben Amorim para implementar as suas ideias. Em entrevista ao Corriere della Sera, publicada no domingo, o antigo internacional italiano também falou sobre a seleção, que se encontra em processo de renovação, e teceu elogios a Issa Doumbia, médio do Sporting.
“Contra o Benfica fiquei preocupado porque o AC Milan não percebeu como podia criar dificuldades aos adversários e não procurava a profundidade. Até eu poderia ter jogado aos 60 anos, visto que os defesas nunca foram obrigados a fazer um sprint. Os portugueses jogaram com um cigarro na boca”, começou por analisar Costacurta.
“Contra o Lecce vi um Milan diferente daquele dos últimos anos, com mais iniciativa, e isso promete. Acho que é um pouco cedo para fazer juízos de valor, mas a equipa enviou mensagens na direção certa. Penso que quer reconquistar San Siro: a verticalidade no jogo, a tentativa de se ajudarem mutuamente e de serem uma equipa, ou seja, todos ou ninguém. Foram mensagens que notei a espaços, mas, no fundo, vejo a luz”, explicou, pedindo tempo para que Ruben Amorim possa implementar a sua filosofia de jogo.
“Os primeiros dois meses são difíceis. Lembro-me de que até o Sacchi [um dos treinadores mais importantes na história do AC Milan] esteve em risco de ser despedido no início. É justo dar-lhe tempo”, recordou.
Costacurta, que chegou à marca dos 662 jogos com a camisola dos rossoneros, não deixou, ainda assim, de apontar o dedo a alguns jogadores, dizendo que é preciso fazer mais e melhor para se ser titular numa equipa tão histórica como o AC Milan.
“Se o Estupiñán continuar a cometer estes erros, como no golo do Cancellieri contra a Lazio, não pode ser titular. Primeiro deveria fazer um curso para aprender a marcar na área. O Loftus-Cheek tem um potencial enorme, mas pode fazer melhor. Naturalmente, refiro-me ao presente. Enquanto não recuperarem, é melhor que fiquem no banco”, aconselhou o antigo defesa central, que conquistou sete campeonatos pelo Milan.
“Doumbia é forte”
Costacurta mostrou-se também esperançado num futuro mais risonho para a seleção italiana, que atravessa um momento mais sensível na sua história. O antigo internacional, que vestiu a camisola da squadra azzurra por 59 ocasiões, apontou para os “muitos jovens interessantes”, entre os quais mora Doumbia, que recentemente assinou pelo Sporting.
“O importante é a estratégia. Penso que, quanto mais vezes entrares na área, mais fácil é ganhar. Sonho com um equilíbrio sustentado mais pela ambição do que pela paciência. Nomes? O Doumbia é forte, o Kayode evoluiu. Penso que vários jovens podem colocar em causa os titulares. O Cissé, na seleção sub-21, também é interessante”, rematou.
Refira-se que Doumbia somou a primeira internacionalização pela seleção de Itália na última sexta-feira, sendo suplente utilizado na derrota frente à Bélgica (0-2), podendo merecer nova oportunidade já esta segunda-feira, na visita à Turquia, em mais um jogo da Liga das Nações.