Aymeric Laporte, atualmente ao serviço dos espanhóis do Athletic Bilbao, já experimentou o que é jogar na Arábia Saudita. O central espanhol rumou ao Al Nassr em 2023, deixando o Manchester City, para ser companheiro de equipa de Cristiano Ronaldo e não guarda boas recordações da vida na cidade de Riade.
Numa extensa conversa com o antigo futebolista espanhol Mario Suárez, para o seu podcast ‘El Camino de Mario’, Laporte não gostou do trânsito da capital Riade, contando que passava muitas horas do seu dia dentro do carro.
“Estava com menos minutos [no Manchester City] e uma transferência na Europa teria sido difícil. Na minha cabeça só estava o regresso ao Athletic Bilbao, mas o clube não tinha capacidade para pagar uma transferência como a que o Manchester City pedia. O único que podia oferecê-la era o Al Nassr e aproveitei a oportunidade. Tinham contratado o Cristiano, o Mané e pensei: ‘Porque não experimentar um par de anos?'”, começou por dizer, falando então do que era o caos do trânsito.
“A experiência na Arábia Saudita pode ser boa se fores caseiro. Há bastante trânsito. Demorava entre 45 minutos e 1 hora e quarto para ir treinar e, se quisesses sair de casa, era mais uma hora. Passavas cinco horas por dia no carro. Isso dificultava a deslocação com a família. Há pontos muito bons e muito maus”, sinalizou.
Laporte tem nacionalidade francesa e jogou pelas seleções jovens de França até aos sub-21. Ainda assim, e como futebolista sénior, decidiu representar a seleção de Espanha, pela qual já soma 55 internacionalizações.
“Nasci em Agen e vivi lá até aos 15 anos. Mudei-me para Bilbau. Toda a minha família é francesa e em França sente-se muito a pátria, e amei França como o primeiro país, mas quando acontecem situações como a minha com França, isso convida-te a sair desse pensamento. O Athletic acolheu-me e onde mais evoluí foi aqui. O selecionador francês não contava comigo para nada e tomei a decisão de mudar”, explicou.
“Conquistar o Mundial, a Liga das Nações e o Euro… se não fosse assim, sentiria o mesmo orgulho. A minha mulher, a minha família e os meus filhos são daqui. Sinto-me identificado com Espanha”, atirou Laporte, recordando todo o processo de naturalização por Espanha.
“Foi um processo longo porque houve uma primeira tentativa um ano e meio ou dois antes que acabou por não dar em nada por muitos motivos. Depois, começámos a falar e eles queriam contar comigo. Concordámos que era uma oportunidade única que não se devia deixar passar”, vincou ainda.
“O Barcelona e o Real Madrid são as equipas com mais marketing do mundo do futebol. Qualquer jogador que contratem sobe de nível em termos de marketing. São factos e não se pode discutir. Se tivesse ido, com certeza teria outro marketing”, finalizou.