Fulvio Collovati considera que ainda é muito cedo para avaliar o trabalho de Ruben Amorim no comando técnico do AC Milan. O antigo defesa italiano, que vestiu a camisola rossonera por 170 ocasiões, mostra-se esperançado em que o técnico português consiga dar uma nova vida à equipa, mas lembra que os jogadores têm de estar ao seu lado.
Em entrevista ao portal MilanNews, publicada na terça-feira, Collovati não deixou, também, de abordar a derrota “feia” contra o Benfica na Liga Europa.
“Diria que talvez houvesse muitas expectativas em relação a Amorim, porque, enfim, o treinador anterior [Massimiliano Allegri] não era muito amado. Com a chegada de Amorim, houve uma euforia geral porque todos queriam uma mudança. Depois, assim que sofres aquela derrota feia – não quero dizer humilhante – contra o Benfica, na Liga Europa, de repente todo esse entusiasmo foi desaparecendo”, começa por dizer Fulvio Collovati.
“Tenho de dizer que é preciso encontrar o caminho certo, ou seja, o meio-termo. Amorim é um treinador que, na minha opinião, é diferente de Allegri e está a tentar trazer algo de novo do ponto de vista do jogo. Continuo a achar que os treinadores andam de mãos dadas com os jogadores, no sentido de que, se queres praticar um determinado tipo de futebol, tens de o fazer quando tens os jogadores certos para isso”, defende.
“Neste momento, considero positivo o percurso de Amorim, mas é claro que Modric ainda não está no seu melhor nível físico, Loftus-Cheek também não está na sua melhor condição, e recuperou Pulisic, que, estranhamente, vinha deixando de fora. Não tinha percebido o motivo, porque é um dos jogadores mais técnicos daquele setor ofensivo. Portanto, esperaria mais algum tempo antes de fazer um julgamento definitivo. Não fico eufórico com a exibição frente ao Lecce, nem fico deprimido com a péssima exibição contra o Benfica”, explica o antigo internacional italiano.
“Gonçalo Ramos não é avançado para 20 ou 30 golos”
O rendimento de Gonçalo Ramos também foi alvo de análise por parte de Fulvio Collovati, que disse acreditar que o internacional português não é um finalizador nato.
“Gonçalo Ramos não é um avançado para marcar 20 ou 30 golos, é preciso perceber isso. Por isso, desse ponto de vista, eu, enquanto antigo defesa, prefiro o avançado de 20 golos, o avançado que também se antecipa ao defesa, que marca golos, que é um predador dentro da área”, sublinha o antigo jogador.
“Daquilo que vi nos últimos jogos, melhorou. Também marcou por Portugal, embora o guarda-redes lhe tenha oferecido a bola, mas, por exemplo, gostei da forma como participou no lance do golo do Rabiot contra o Lecce. Ou seja, na minha opinião, coloca-se ao serviço da equipa. Penso que o Milan precisa mais de um finalizador. Depois, se o treinador, não posso dizer porque não estou no balneário, lhe pede para participar mais na construção, tudo bem”, conclui Collovati, que se sagrou campeão do mundo por Itália em 1982.
Gonçalo Ramos contabiliza um golo marcado e uma assistência ao cabo dos primeiros seis jogos oficiais com a camisola do AC Milan.